Skip to content

Mal de altitude: MAM, EPAA e ECAA

O mal de altitude atinge trilheiros, esquiadores, montanhistas e viajantes que sobem acima de 2.500 metros (8.200 pés) mais rápido do que seus corpos conseguem se aclimatar à menor pressão atmosférica. Enquanto a forma leve, chamada Mal Agudo das Montanhas (MAM / AMS), provoca dor de cabeça e enjoo que melhoram com repouso na mesma altitude, suas duas evoluções fatais, o Edema Pulmonar de Alta Altitude (EPAA / HAPE) e o Edema Cerebral de Alta Altitude (ECAA / HACE), enchem os pulmões de líquido ou causam inchaço cerebral letal em poucas horas. Seguir as Três Regras de Ouro da Altitude (reconhecer os sintomas cedo, jamais subir com sintomas e descer imediatamente se os sintomas piorarem ou atingirem os pulmões ou o cérebro) é a medida mais eficaz para salvar vidas em grandes altitudes.

Emergência com risco de morte: desça imediatamente em caso de EPAA ou ECAA

O Edema Pulmonar de Alta Altitude (líquido nos pulmões) e o Edema Cerebral de Alta Altitude (inchaço no cérebro) matam rapidamente entre 6 e 24 horas se a pessoa permanecer na altitude elevada. Se qualquer pessoa acima de 2.500 metros (8.200 pés) apresentar falta de ar mesmo sentada em repouso absoluto, tosse com chiado ou borbulhamento no peito, lábios roxos ou acinzentados, perda de equilíbrio (cambaleando como se estivesse embriagada) ou confusão mental, inicie a descida física imediatamente reduzindo pelo menos 500 a 1.000 metros (1.600 a 3.300 pés) de altitude, mesmo que seja no meio da noite. Nunca deixe um montanhista doente sozinho na barraca e jamais mande a vítima descer a trilha desacompanhada.


Faça isso agora

Se você ou um companheiro em alta altitude acima de 2.500 metros (8.200 pés) desenvolver dor de cabeça latejante, cansaço extremo, falta de ar ou falta de coordenação motora:

  1. Faça imediatamente o "Teste de Caminhada Calcanhar-Ponta do Pé" de 10 segundos (Teste de Marcha em Tandem): Risque uma linha reta na terra ou na neve e peça para a pessoa caminhar sobre a linha encostando o calcanhar de um pé diretamente na ponta do outro, igual ao teste de sobriedade da polícia. Se ela cambalear para fora da linha, abrir os braços tentando se equilibrar ou não conseguir ficar em pé com os olhos fechados (ataxia), presuma Edema Cerebral de Alta Altitude (ECAA / HACE) em evolução e inicie a descida assistida na mesma hora.
  2. Avalie a respiração após 10 minutos sentado em repouso absoluto: É normal ficar ofegante enquanto se caminha ladeira acima na altitude. Porém, se a pessoa continuar ofegante, puxando o ar com dificuldade ou apresentar batimentos cardíacos acelerados em repouso (acima de 110 batimentos por minuto) e ruídos de estalos ou borbulhas no peito após ficar 10 minutos totalmente parada, presuma Edema Pulmonar de Alta Altitude (EPAA / HAPE) e desça imediatamente.
  3. Pare de subir imediatamente diante de qualquer sintoma leve: Se a pessoa passar no teste de equilíbrio e respirar bem em repouso, mas tiver dor de cabeça acompanhada de náusea, tontura ou fadiga incomum, diagnostique Mal Agudo das Montanhas (MAM / AMS). Interrompa qualquer ganho de altitude imediatamente; não suba nem mais 100 metros para alcançar o próximo acampamento.
  4. Execute uma descida assistida imediata de 500 a 1.000 metros (1.600 a 3.300 pés) para EPAA/ECAA: Retire a mochila da pessoa doente, apoie o peso dela entre dois companheiros (ou transporte em maca, mula ou veículo) e desça para a menor altitude possível. O esforço físico aumenta a pressão nos pulmões e no cérebro, portanto o paciente deve fazer o mínimo esforço possível durante a descida.
  5. Administre oxigênio de alto fluxo ou use uma câmara hiperbárica portátil (saco Gamow) se a descida atrasar: Se houver cilindro de oxigênio medicinal disponível, forneça de 4 a 6 litros por minuto via máscara ou cateter nasal. Se o grupo estiver preso por uma nevasca ou penhasco, feche o paciente dentro de uma câmara hiperbárica portátil (Gamow bag) e bombeie continuamente até conseguir descer.
  6. Acione o resgate via satélite e mantenha a vítima bem aquecida: Dispare o botão SOS em um comunicador via satélite (Garmin inReach, ZOLEO ou SOS via satélite do celular) ou ligue para os números de emergência locais se houver sinal. Mantenha o paciente muito bem agasalhado; tremores de frio contraem as artérias pulmonares e agravam rapidamente o edema pulmonar (EPAA).
flowchart TD
    Symptom["Sintomas acima de 2.500 m (8.200 pés): Dor de cabeça, fadiga ou falta de ar"] --> Balance{"1. Teste de caminhar em linha reta: O paciente cambaleia ou está confuso?"}
    Balance -->|Sim: Ataxia ou confusão mental| HACE["ECAA / HACE (Inchaço no cérebro): Descida assistida imediata de 500 a 1.000 m"]
    Balance -->|Não: Equilíbrio normal e lúcido| RestBreath{"2. Continua com falta de ar após 10 minutos sentado em repouso?"}
    RestBreath -->|Sim: Falta de ar parado, tosse ou lábios roxos| HAPE["EPAA / HAPE (Líquido no pulmão): Deixe sentado, aqueça e desça 500 a 1.000 m já"]
    RestBreath -->|Não: Respira bem parado, dor de cabeça + enjoo/fadiga| AMS["MAM / AMS leve a moderado: Pare de subir, repouse 24 a 48 h, hidrate"]
    AMS --> Worsen{"3. Os sintomas do MAM pioraram ou não melhoraram em 24 horas?"}
    Worsen -->|Sim| Descend["Desça pelo menos 500 m (1.600 pés) até os sintomas sumirem"]
    Worsen -->|Não: Totalmente recuperado| Resume["Retome subida gradual: Ganho máximo de 300 a 500 m de altitude de sono por dia"]
    HACE --> Rescue["Administre Oxigênio (4 a 6 L/min) ou Saco Gamow + Acione Resgate de Montanha SOS"]
    HAPE --> Rescue

Comparação clínica: MAM (AMS) vs EPAA (HAPE) vs ECAA (HACE)

Entender por que o ar rarefeito faz o líquido escapar dos vasos sanguíneos ajuda a diferenciar a adaptação normal de uma emergência médica fatal. A 3.600 metros (12.000 pés), cada inspiração contém cerca de 40 por cento menos moléculas de oxigênio do que ao nível do mar; a 5.500 metros (18.000 pés), cada respiração traz apenas metade do oxigênio do nível do mar.

Característica Mal Agudo das Montanhas (MAM / AMS) Edema Pulmonar de Alta Altitude (EPAA / HAPE) Edema Cerebral de Alta Altitude (ECAA / HACE)
Altitude típica de início Acima de 2.500 metros (8.200 pés), ocasionalmente a 2.000 metros (6.500 pés) Acima de 2.500 a 3.000 metros (8.200 a 10.000 pés), especialmente à noite entre o 2º e o 4º dia Geralmente acima de 3.500 a 4.000 metros (11.500 a 13.000 pés), mas pode ocorrer a 2.500 m junto com EPAA
Fisiopatologia Leve vasodilatação cerebral e retenção hídrica em resposta à queda do oxigênio no sangue Vasoconstrição pulmonar hipóxica desigual: A falta de oxigênio contrai os vasos do pulmão, elevando a pressão arterial pulmonar até o líquido extravasar para os alvéolos Ruptura da barreira hematoencefálica: A hipóxia severa faz líquido vazar para o tecido cerebral dentro do crânio rígido, comprimindo o cérebro
Sinais de alerta iniciais Dor de cabeça latejante nos dois lados (piora ao abaixar ou acordar), perda de apetite, náusea, cansaço fora do comum, insônia Queda brusca no ritmo de caminhada na subida, demora muito maior que o grupo para recuperar o fôlego nas paradas, tosse seca persistente Mudança de comportamento: apatia súbita, irritabilidade, teimosia negando estar doente, sonolência, dor de cabeça intensa
Sinais tardios / Graves Vômitos repetidos, dor de cabeça progressiva que não cede com analgésicos comuns Falta de ar extrema mesmo deitado ou sentado imóvel, barulho de borbulha no peito, unhas e lábios azulados, tosse com escarro espumoso rosado ou com sangue Ataxia de tronco (incapacidade de andar em linha reta), fala arrastada, confusão mental, alucinações, torpor, coma e morte
Leitura no oxímetro de pulso (\(\text{SpO}_2\)) Geralmente 5% a 8% abaixo dos companheiros saudáveis aclimatados no mesmo acampamento Extremamente baixa para aquela altitude (muitas vezes 40% a 65% de \(\text{SpO}_2\)), sem subir mesmo em repouso \(\text{SpO}_2\) baixa (frequentemente abaixo de 65% a 75%), acompanhada de alteração neurológica
Ação obrigatória em campo Parar de subir; descansar na altitude atual por 24 a 48 horas; descer se não houver melhora Descida imediata de 500 a 1.000 m (1.600 a 3.300 pés); manter sentado ereto e aquecido; oxigênio se disponível Descida de emergência imediata de 500 a 1.000 m (1.600 a 3.300 pés); carregar o paciente; oxigênio e saco Gamow

Escala de Autoavaliação de Lake Louise para Mal Agudo das Montanhas

De acordo com o Consenso Internacional de Lake Louise e a Wilderness Medical Society (WMS), o Mal Agudo das Montanhas (MAM / AMS) é confirmado quando uma pessoa que subiu recentemente acima de 2.500 metros (8.200 pés) apresenta Dor de Cabeça (pelo menos 1 ponto) mais pelo menos um outro sintoma somando uma pontuação total de 3 ou mais pontos:

  1. Dor de cabeça (Cefaleia):
  2. 0 = Nenhuma dor de cabeça
  3. 1 = Dor de cabeça leve
  4. 2 = Dor de cabeça moderada
  5. 3 = Dor de cabeça intensa e incapacitante
  6. Sintomas gastrointestinais:
  7. 0 = Bom apetite normal
  8. 1 = Pouco apetite ou náusea leve
  9. 2 = Náusea moderada ou vômito
  10. 3 = Náusea e vômitos intensos e incapacitantes
  11. Fadiga e fraqueza:
  12. 0 = Sem cansaço ou fraqueza
  13. 1 = Fadiga ou fraqueza leve
  14. 2 = Fadiga ou fraqueza moderada
  15. 3 = Fadiga ou fraqueza severa e incapacitante (recusa sair da barraca para comer)
  16. Tontura ou vertigem:
  17. 0 = Sem tontura
  18. 1 = Tontura leve
  19. 2 = Tontura moderada
  20. 3 = Tontura intensa e incapacitante

  21. Pontuação de 3 a 5 (MAM Leve): Pare de subir, descanse, hidrate-se adequadamente e reavalie a cada 4 horas.

  22. Pontuação 6 ou superior (MAM Moderado a Grave): Alto risco de evolução para edema cerebral (ECAA); desça de 300 a 500 metros (1.000 a 1.600 pés) se os sintomas não melhorarem rapidamente.

Cuidado com o 'reflexo de negação' em vítimas de altitude

O inchaço nos lobos frontais do cérebro no início do ECAA prejudica a autopercepção da doença (anosognosia). Montanhistas desenvolvendo ECAA ou EPAA fatais frequentemente insistem: "É só um resfriadinho", "Só estou cansado por causa da mochila" ou "Me deixem dormindo aqui na barraca que amanhã passa". Nunca aceite o autodiagnóstico de um companheiro com sintomas e jamais deixe alguém sozinho em uma barraca enquanto o resto da equipe tenta o cume. Dormir em alta altitude reduz ainda mais a ventilação pulmonar, transformando um quadro inicial de EPAA ou ECAA noturno em coma fatal pela manhã.


Manejo passo a passo em campo para EPAA (HAPE) e ECAA (HACE)

Quando um integrante da equipe reprova no teste de caminhada em linha reta (ECAA) ou fica sem ar mesmo sentado em repouso (EPAA), cada minuto conta. Lembre-se de que o Edema Pulmonar (EPAA) é a causa número 1 de morte por doença de altitude, e cerca de 50 por cento das pessoas com EPAA grave também desenvolvem ECAA ao mesmo tempo porque os pulmões cheios de líquido não conseguem oxigenar o cérebro.

1. Execute uma descida imediata com esforço físico mínimo

  • Por que descer funciona como um milagre: Descer apenas 300 a 500 metros (1.000 a 1.600 pés) já aumenta a pressão barométrica o suficiente para elevar a pressão de oxigênio no sangue imediatamente. Uma descida de 1.000 metros (3.300 pés) costuma salvar a vida do paciente em menos de duas horas.
  • Não deixe um paciente com EPAA carregar peso ou caminhar rápido: O esforço muscular eleva o débito cardíaco e dispara a pressão na artéria pulmonar, forçando ainda mais líquido a romper os capilares pulmonares para dentro dos alvéolos. Tire toda a carga do paciente, apoie-o entre dois colegas em descidas suaves ou faça a remoção usando cavalos, mulas, veículo 4x4 ou maca.
  • Posicionamento correto: Mantenha o paciente com EPAA sentado com o tronco elevado (semi-sentado) sempre que estiver descansando ou dentro da barraca. Deitar completamente reto de costas espalha o líquido por toda a extensão dos pulmões, provocando sensação imediata de afogamento.

2. Proteja rigorosamente contra o frio e a hipotermia

A exposição ao frio provoca vasoconstrição periférica automática em todo o corpo, desviando o sangue da pele para os órgãos centrais e elevando bruscamente a pressão dentro dos pulmões. Um montanhista que passa frio ou desenvolve hipotermia na altitude tem probabilidade muito maior de sofrer EPAA agudo.

  • Agasalhe o paciente imediatamente com jaqueta de pluma (down), anorak corta-vento e saco de dormir seco, colocando um isolante térmico de espuma grossa embaixo dele para bloquear o frio do chão.
  • Se disponível, coloque garrafas resistentes com água morna nas axilas e na virilha, e cubra o rosto com uma balaclava ou pescoceira para aquecer o ar inspirado.

3. Como operar uma câmara hiperbárica portátil (Saco Gamow / PAC)

Expedições de alta montanha e refúgios alpinos frequentemente contam com uma câmara hiperbárica inflável de nylon (como o Gamow bag, Certec ou Portable Altitude Chamber). Ela funciona como uma ponte salvadora quando uma tempestade de neve à meia-noite, risco de avalanche ou parede técnica impedem a descida imediata a pé:

  1. Prepare o paciente antes de fechar: Peça para o paciente urinar antes de entrar no saco. Verifique se ele não sofre de pânico por claustrofobia e oriente-o a engolir seco, bocejar ou tapar o nariz e soprar suavemente (manobra de Valsalva) enquanto a pressão sobe para destravar os ouvidos. Se o paciente tiver EPAA e não conseguir ficar deitado reto sem sufocar, apoie toda a extremidade superior da câmara inflada sobre uma rampa de neve ou pedras em ângulo de 30 a 45 graus.
  2. Feche o zíper e pressurize: Coloque o paciente lá dentro agasalhado no saco de dormir com uma garrafa de água, feche totalmente o zíper hermético de pressão e acione a bomba de pé rapidamente até que a válvula reguladora comece a chiar soltando o excesso de ar (geralmente entre 105 e 140 milibares / 1,5 a 2,0 psi acima da pressão externa). Essa pressurização simula uma descida instantânea de 1.500 a 2.500 metros (5.000 a 8.000 pés) de altitude.
  3. Continue bombeando sem parar para renovar o oxigênio: Depois que a câmara estiver cheia, um socorrista deve continuar bombeando de 10 a 15 bombadas por minuto ininterruptamente. O bombeamento contínuo não serve apenas para manter a pressão; ele expulsa o gás carbônico (\(\text{CO}_2\)) exalado pelo paciente e injeta ar novo rico em oxigênio. Parar de bombear com o paciente fechado lá dentro provoca asfixia letal por gás carbônico.
  4. Inicie a descida real assim que a sessão melhorar os sintomas: Após 2 a 4 horas dentro da câmara, pacientes com ECAA e EPAA costumam recuperar a lucidez e o fôlego o suficiente para conseguir caminhar montanha abaixo apoiados pela equipe. Desça imediatamente aproveitando essa janela de melhora, pois o edema volta a se formar em poucas horas se o paciente continuar no acampamento alto.

Como diferenciar o mal de altitude de desidratação, hipotermia e monóxido de carbono

Em acampamentos de alta montanha, outras três emergências graves imitam exatamente os sintomas de MAM e ECAA:

  • Desidratação grave: O ar frio e seco da montanha e a respiração acelerada fazem o montanhista perder de 3 a 5 litros de água por dia pela respiração e suor. A desidratação causa dor de cabeça, urina amarelo-escura, fraqueza e tontura. Teste prático em campo: Se a pessoa tiver urina escura e dor de cabeça leve sem sinais pulmonares ou perda de equilíbrio, coloque-a em repouso e ofereça 1 litro de água com sais de reidratação ao longo de 60 minutos. Se a dor de cabeça sumir por completo após hidratar, era desidratação; se persistir ou piorar, trate como MAM. (Por outro lado, nunca force alguém com MAM a beber litros excessivos de água pura de uma vez, pois isso causa queda perigosa do sódio no sangue / hiponatremia, que causa edema cerebral idêntico ao ECAA).
  • Intoxicação por Monóxido de Carbono dentro da barraca: Cozinhar com fogareiro a gás ou benzina dentro da barraca fechada ou no avanço durante uma nevasca gera gás monóxido de carbono letal, provocando dor de cabeça latejante, náusea, perda de equilíbrio e coma idênticos ao MAM e ECAA. Se duas ou mais pessoas na mesma barraca acordarem com a mesma dor de cabeça forte após usarem o fogareiro, abra a barraca imediatamente e leve todos para o ar puro (consulte primeiros socorros para inalação de fumaça e monóxido de carbono).
  • Exaustão e Hipotermia: Tremores, tropeços, apatia e fala enrolada ocorrem tanto na hipotermia moderada quanto no ECAA. Na dúvida se um companheiro cambaleante está com hipotermia ou ECAA, trate os dois problemas simultaneamente: aqueça-o com roupas secas isolantes e inicie a descida imediatamente.

Regras de prevenção e aclimatação segura

De acordo com a Wilderness Medical Society (WMS) e a Comissão Médica da UIAA (Federação Internacional de Escalada e Montanhismo), quase todos os casos graves de mal de altitude podem ser evitados respeitando um perfil gradual de subida:

  • A regra acima dos 3.000 metros (10.000 pés): Acima de 3.000 metros de altitude, nunca aumente a sua altitude de dormir em mais de 300 a 500 metros (1.000 a 1.650 pés) por noite. Você pode subir mais alto durante o dia, desde que volte para dormir mais baixo ("escale alto, durma baixo").
  • Programe dias obrigatórios de descanso: Faça um dia inteiro de descanso para aclimatação (dormindo duas noites seguidas na mesma altitude) a cada 1.000 metros (3.300 pés) de ganho de elevação (ou a cada 3 a 4 dias de subida).
  • Cuidado ao voar ou subir de carro direto para cidades altas: Viajantes que saem do nível do mar diretamente de avião ou ônibus para destinos como Cusco (3.400 m), La Paz (3.640 m), Atacama (2.400 m com passeios a 4.300 m), Lhasa (3.650 m) ou estações de esqui nos Andes e Montanhas Rochosas (2.800 a 3.200 m) devem passar as primeiras 2 a 3 noites na menor altitude disponível do vale (como o Vale Sagrado a 2.800 m antes de dormir em Cusco) e evitar esforço físico intenso ou bebidas alcoólicas nas primeiras 48 horas.
  • Condicionamento físico atlético não protege contra a altitude: Maratonistas e triatletas sofrem de MAM, EPAA e ECAA na mesma proporção (ou até mais, por subirem rápido demais) que trilheiros iniciantes. A genética individual e a velocidade de subida são os fatores determinantes.

Faça um curso de primeiros socorros em áreas remotas

Antes de fazer travessias ou expedições em montanhas isoladas, recomendamos realizar um curso prático de Primeiros Socorros em Áreas Remotas (Wilderness First Aid - WFA), além do treinamento básico de RCP na Cruz Vermelha, St John Ambulance ou instituição credenciada.


Perguntas frequentes

Ter excelente preparo físico evita o mal de altitude (soroche)?

Não, o condicionamento físico aeróbico não oferece nenhuma proteção contra o Mal Agudo das Montanhas, EPAA ou ECAA; na verdade, atletas muito bem condicionados frequentemente desenvolvem quadros graves porque caminham rápido demais montanha acima antes que o organismo consiga se adaptar fisiologicamente à menor pressão de oxigênio.

Como testar rapidamente alguém na trilha para saber se há Edema Cerebral de Alta Altitude (ECAA)?

O teste de campo mais rápido e confiável para detectar o ECAA é o teste da caminhada em linha reta calcanhar-ponta do pé: peça para a pessoa andar sobre um risco reto no chão encostando o calcanhar de um pé na ponta do outro; se ela cambalear, pender para os lados ou sair da linha, há sinal de inchaço no cerebelo exigindo descida imediata.

Quantos metros é preciso descer para tratar um caso grave de mal de altitude?

Quando há suspeita de EPAA ou ECAA, você deve ajudar o paciente a descer imediatamente pelo menos de 300 a 1.000 metros (1.000 a 3.300 pés) de desnível vertical ou continuar descendo até que os sintomas regredam claramente, carregando a mochila dele para evitar qualquer esforço físico.

Posso subir para o próximo acampamento e tentar curar uma dor de cabeça leve de altitude dormindo?

Jamais suba para dormir em uma altitude mais elevada enquanto estiver sentindo qualquer sintoma de mal de altitude; subir com dor de cabeça de MAM impede a aclimatação e frequentemente desencadeia Edema Pulmonar (EPAA) ou Edema Cerebral (ECAA) fatais durante a madrugada, quando a respiração fica mais superficial.

Por que uma simples tosse em alta montanha é considerada perigosa?

Embora o ar seco e gelado possa irritar a garganta, uma tosse seca persistente acompanhada de cansaço desproporcional, perda de ritmo na subida ou falta de ar enquanto está sentado descansando é o sinal clássico inicial do Edema Pulmonar de Alta Altitude (EPAA), que evolui rapidamente para falta de ar sufocante e catarro espumoso rosado se você não descer.


Fontes consultadas

  • Wilderness Medical Society (WMS): Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Treatment of Acute Altitude Illness (Atualização 2019/2024).
  • Lake Louise Consensus Group: The 2018 Lake Louise Acute Mountain Sickness Score.
  • Federação Internacional de Escalada e Montanhismo (Comissão Médica da UIAA): Standardized Field Recommendations for AMS, HAPE, and HACE.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC, Estados Unidos): CDC Yellow Book: High-Elevation Travel and Altitude Illness.
  • National Health Service (NHS, Reino Unido): Altitude Sickness Recognition, Acclimatisation, and Emergency Descent Guidance.

Guias relacionados